QUAL A IMPORTÂNCIA DA 'LAUDATO SI' PARA O BRASIL HOJE
Victor Pereira Mascarenhas
A
Carta Encíclica Laudato Si do Santo
Padre, o Papa Francisco, sobre o cuidado da casa comum, traz por nome aquilo
que já cantava São Francisco de Assis em sua vida ao contemplar as maravilhas
de Deus: Louvado sejas, meu Senhor!
Recordando o olhar que se deve ter com a casa comum que partilha da mesma
existência.
O
texto do Santo Padre dá voz a terra que sofre com o mal provocado pela
irresponsabilidade do ser humano, que ferido pelo pecado, age com dominação
violenta os bens que Deus concedeu com a sua criação. Os efeitos são os mais variados
e visíveis, não só na natureza, por exemplo, a poluição do ar, do solo e da
água, mas no próprio homem, principalmente nos pobres e mais abandonados.
Esses
efeitos catastróficos são “justificados” em vista do progresso humano, porém,
um progresso que não beneficia a todos – apenas a nata da sociedade – e que
deixa de ser autêntico por não possuir um caráter moral, ou seja, pleno
respeito pela pessoa humana e pelo mundo natural. Tais problemas possuem raízes
éticas e espirituais, por isso, não basta apenas uma solução técnica, é preciso
haver uma mudança do ser humano. E São Francisco de Assis com sua vida ensina a
renunciar a realidade como um mero objeto de uso e domínio, mas aceitá-la como
parte integrante da vida.
Urge
o desafio de cuidar da casa comum, algo que deve ser aderido por toda família
humana, e buscar o desenvolvimento sustentável e integral para o presente e o
futuro, pensando nas próximas gerações. O Criador permanece a sondar e
sustentar o seu projeto de amor e não se arrepende de ter criado o ser humano.
E este último possui ainda a capacidade de ser administrador da casa comum.
O
Papa Francisco em sua encíclica apresenta os principais problemas e causas da
atual situação do planeta. A poluição e as mudanças climáticas tem afetado diretamente
a vida, principalmente os mais pobres, causando diversas doenças e provocando
milhões de mortes prematuras. Diversos cientistas chegaram a mesma conclusão de
que é uma realidade o aquecimento do sistema climático. Essas mudanças são um
problema global, com implicações sociais, ambientais, políticas e econômicas.
Num
contexto geral percebe-se as implicações na água potável, fonte de vida, e a
perda da biodiversidade, gerando escassez de recursos devido a economia
imediatista e atividade comercial e produtiva. A perda da flora como um risco
não só para o sustento, mas para a cura de diversas doenças. O estilo de vida
adotado atualmente pelos detentores do poder e a falsa dependência de produtos
não essenciais criada pelo mercado, causa uma deterioração da qualidade de vida
humana e uma degradação social, ou seja, exclusão social, a desigualdade, a
fragmentação social, o aumento da violência, novas formas de agressividade
social, o narcotráfico, o consumo de drogas e a perda de identidade.
A
Laudato Si dá uma nova visão em
relação aos problemas existentes, que não são questões isoladas e separadas,
mas uma e complexa “crise socioambiental”. Consiste numa abordagem integral
para enfrentar a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e consequentemente
cuidar da natureza. O ambiente humano e o ambiente natural degradam-se juntos.
Não há como pensar soluções ambientas, sem antes pensar em soluções humanas e
sociais.
A
existência humana se fundamenta em três relações fundamentais ligadas entre si:
as relações com Deus, com o próximo e com a terra. Sendo assim, é preciso
reconhecer que cada criatura possui um valor em si e um significado dado pelo
próprio Deus. E ao rejeitar essa realidade, o homem comete pecado contra o
próprio Deus rejeitando a sua criação.
O
Sumo Pontífice aponta em sua carta, uma raiz humana da crise ecológica, que
consiste pelo avanço tecnológico descontrolado em vista apenas de poder
juntamente com uma globalização do “paradigma tecnocrático”, que incide num
tipo de economia que beneficia principalmente as grandes empresas, por exemplo,
os bancos sem considerar a classe dos trabalhadores. E isso faz com que haja
uma modernidade ferida de morte social, que coloca a razão técnica acima e o
homem no centro como dominador.
Por
fim, em vista de todos este problemas e crises, o Papa Francisco fala de uma
“ecologia integral”. Trata-se de uma ecologia que engloba todas as realidades:
ambiental, econômica, social, cultural, espiritual e também a vida cotidiana,
tendo por prioridade os pobres e menos favorecidos. Esse princípio norteador é
inseparável da noção de bem comum que versa na ideia do conjunto das condições
da vida social e que implica o respeito pela pessoa humana e o seu
desenvolvimento integral.
Sobre
soluções, o texto diz que é preciso haver um diálogo entre as potências
internacionais sobre o meio ambiente, diálogo para novas políticas nacionais e
economia comprometidas com a plenitude da vida, o diálogo religioso e
principalmente uma educação e espiritualidade ecológicas capazes de apontar
para um novo estilo de vida.
Esta encíclica do Papa Francisco permite um olhar específico e uma valoração para os problemas no Brasil. A nação brasileira padece de todas as problemáticas apontadas pelo documento papal e carece de todas as soluções necessárias também orientadas pelo Pontífice Romano.
Os últimos ocorridos tem mostrado o descaso com a natureza em território brasileiro e com a população mais carente, principalmente nas regiões menos favorecidas de desenvolvimento social, econômico e ambiental. A Laudato Si conceitua e traz à tona os problemas que são ignorados pelas autoridades e as grandes potências econômicas no Brasil.
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