O CRISTIANISMO PROTESTANTE

Victor Pereira Mascarenhas


O cristianismo protestante não surgiu na história como em um passe de mágica. A reforma foi moldada até chegar o contexto em que os reformadores se manifestaram contrários a fé católica. Os primeiros vestígios são com Pedro Valdo, um rico comerciante francês do século XII, que teve uma experiência de conversão e desejava restaurar os valores neotestamentários fundamentais.

No século XIV, temos a figura do teólogo inglês John Wyclifee, que se destacou por defender interesses nacionais que confrontavam o papado, com isso ganhou reputação de patriota e reformista. Mostrou-se contra a alguns dogmas e doutrinas da Igreja, além de criticar de que as Escrituras deveriam ser lidas por todos.

Outro que se destacou no processo foi John Huss, no mesmo século, padre da Boêmia que foi chamado de herético por dizer que qualquer pessoa poderia orar diretamente a Deus. Devido a isso foi condenado a morte. E preparado o caminho por esses homens, no final do século XIV, surge Martinho Lutero. Ele no ano de 1517 fixou na porta do Castelo de Wittenberg as 95 teses falando sobre a penitência, indulgências e a salvação pela fé.

No século XV, nasce João Calvino, teólogo e intelectual, cuidou como pastor da igreja e liderou o ensino de novos pastores, conduzindo para formação de novas igrejas protestantes. Enviou missionários ao Brasil que começaram a propagar essa nova profissão de fé na América. É ele quem dá origem a igreja reformada. E no mesmo século temos John Knox, ordenado padre, professou publicamente sua fé protestante, dando origem ao movimento puritano e a igreja presbiteriana.

No século XVI com o rei Henrique VIII, após ter um pedido recusado pelo papa Clemente VII, decide romper com a Igreja e cria a Anglicana que passa a ser independente do papado.

Com o passar dos séculos, novas divisões foram acontecendo dentro do próprio protestantismo, novas linhas de pensamentos fizeram com que surgisse “novas igrejas” protestantes. A igreja batista foi funda em Londres no século XVII com Thomas Helwys. A metodista surge no século seguinte pelo padre anglicano John Wesley com novas ideias para os encontros religiosos. Os pentecostais surgem em Chicago nos Estados Unidos no século XX, que enfatiza uma relação com o Espírito Santo por meio da glossolalia, ou seja, línguas estranhas. E esse foi só o começo para que mais e mais denominações surgissem dentro da reforma.

O protestantismo possui pilares que orientam sua fé, que são os cinco solas da reforma protestante: o livro da concórdia, o catecismo de Heildeberg, a confissão belga, a confissão de La Rochelle e a segunda confissão helvética.

O Sola Scriptura, é o princípio fundamental da reforma protestante. O Sola Christus quer dizer que a salvação é somente por Cristo, por ser o mediador entre os homens e Deus e que a salvação pelas obras é uma negação do sacrifício de Cristo. O Sola Gratia fala que Deus nos salvou não por nossos méritos, mas pelos nossos deméritos e que é salvação se dá por Cristo, que a graça é graça porque é livre. O Sola fide, o próprio nome diz, só a fé basta. E o Soli Deo Gloria, diz que a glória é somente a Deus, pois somente a Ele pertence os méritos da salvação do homem.

Por fim, algo que é muito característico das igrejas neopentecostais e que chama a atenção das pessoas é o êxtase religioso. Interligado a razão, os dois se relacionam com as experiências religiosas. Uma pessoa em êxtase apresenta certa impossibilidade de autonomia, porém seus afetos não, tendo também sua cognição preservada, ela sofre interferências de seus afetos causando reações emocionais intensas. Esse tipo de experiência acontece a partir de motivações exteriores, levando a pessoa a uma profundida mística, que é expressada fortemente com gestos corporais. Algo bem característicos dessas novas igrejas.  

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