Cristologia- Resenha do Livro: Jesus, o Galileu – Loyola

Edson Amaro de Oliveira  

Há uma nova perspectiva sobre Jesus e seu processo histórico, que talvez não tenha se levado em conta. No movimento do cristianismo nascente, no judaísmo da palestina do século primeiro, acontece o evento histórico Jesus de Nazaré, que está inserido em um contexto relevante a época. Estando por assim dizer, condicionado a várias possibilidades, percebemos um processo evolutivo no acontecimento histórico da missão de Jesus; cujo cume neste episódio salvífico é o reino de Deus, que tinha por intento a renovação da história do povo de Israel, sendo como fermento na massa, a transformar a história de todos os povos da Terra. Este acontecimento libertador de Deus tinha projetos com características próprias. Contudo, o que se deixa entrever é o sentido decisivo, da ligação de Jesus com a missão de João Batista, que marca a etapa inicial e tem uma identidade histórica própria.

A jornada de Jesus em seu próprio início é atestada pela tradição evangélica antiga. Entretanto, podemos dizer que a primeira aparição de Jesus (Mc 1,9), é um tanto repentina e inesperada no Evangelho de Marcos, porque o “pano de fundo” do relato dos inícios de Jesus, não se apoia na sua própria atuação, mas na missão de João Batista. Observa-se que o movimento dos grupos batistas era competidor de grupos cristãos, e que existe uma tentativa de camuflar ou diminuir a figura de João Batista. Uma forma de fazer isto é colocar em relevo a origem grandiosa de Jesus, antes da narração da missão de João que justifica a confissão de fé do movimento cristão no Messias Jesus; cristianizando a missão de João e consequentemente rebaixando-o, sendo um simples precursor da missão de Jesus. Com isso, fazer desta notícia tradicional a mais elevada da pessoa de Jesus, se torna uma historicidade irrefutável, de que o batismo que Jesus recebe é um fato escandaloso para os grupos cristãos, e que pode ser interpretado de diversos modos.

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