Cristologia- Resenha do Livro: Jesus, o Galileu – Loyola
Há uma nova perspectiva sobre Jesus e seu processo
histórico, que talvez não tenha se levado em conta. No movimento do
cristianismo nascente, no judaísmo da palestina do século primeiro, acontece o
evento histórico Jesus de Nazaré, que está inserido em um contexto relevante a
época. Estando por assim dizer, condicionado a várias possibilidades,
percebemos um processo evolutivo no acontecimento histórico da missão de Jesus;
cujo cume neste episódio salvífico é o reino de Deus, que tinha por intento a
renovação da história do povo de Israel, sendo como fermento na massa, a
transformar a história de todos os povos da Terra. Este acontecimento
libertador de Deus tinha projetos com características próprias. Contudo, o que
se deixa entrever é o sentido decisivo, da ligação de Jesus com a missão de
João Batista, que marca a etapa inicial e tem uma identidade histórica própria.
A jornada de Jesus em seu próprio início é atestada
pela tradição evangélica antiga. Entretanto, podemos dizer que a primeira
aparição de Jesus (Mc 1,9), é um tanto repentina e inesperada no Evangelho de
Marcos, porque o “pano de fundo” do relato dos inícios de Jesus, não se apoia
na sua própria atuação, mas na missão de João Batista. Observa-se que o
movimento dos grupos batistas era competidor de grupos cristãos, e que existe
uma tentativa de camuflar ou diminuir a figura de João Batista. Uma forma de
fazer isto é colocar em relevo a origem grandiosa de Jesus, antes da narração
da missão de João que justifica a confissão de fé do movimento cristão no
Messias Jesus; cristianizando a missão de João e consequentemente rebaixando-o,
sendo um simples precursor da missão de Jesus. Com isso, fazer desta notícia
tradicional a mais elevada da pessoa de Jesus, se torna uma historicidade
irrefutável, de que o batismo que Jesus recebe é um fato escandaloso para os
grupos cristãos, e que pode ser interpretado de diversos modos.
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