O Sagrado - Battista Mondin

Adriano da Silva Oliveira


Livro: Quem é Deus?: Elementos de Teologia filosófica/ Battista Mondin; [Tradução José Maria de Almeida]. – São Paulo: Paulus, 1997.Cap.1, p.31-47

            Battista Mondin, no primeiro capítulo de seu livro; Quem é Deus?: Elementos de Teologia filosófica. Discorre sobre o Sagrado. O Capitulo irá iniciar primeiramente conceituando a questão do sagrado e depois da secularização.
            Não se separa o sagrado, da religião os dois fenômenos se relacionam. Define-se o termo Sagrado “aquilo que pertence a uma ordem de coisas separadas, reservada, inviolável; que deve ser objeto de respeito religioso da parte de um grupo de crentes”[1].
            O homem possui a capacidade de identificar ou tornar as coisas sagradas. O sagrado é uma qualidade subjetiva ou objetiva, sendo definida conforme aspecto por ele assumido. É objetivo por ser uma “força majestosa, maravilhosa, imponente, fascinante”[2] etc.. O aspecto subjetivo vem pelo homem, sendo a “adoração, a reverencia, o respeito e a submissão”[3].
            O sagrado é encontrado em toda a história da humanidade, nos seus diversos povos. A história em sua maior parte girou em torno de um ato sagrado, monumento sagrado, para a civilização. Mesmo na sociedade moderna refloresce a redescoberta e a busca pelo sagrado.
            A única forma de definir o sagrado é através da religião, nenhuma outra ciência consegue definir este conceito. Sendo o sagrado uma qualidade ele é respondido com a religião. O sagrado não é captado pelos sentidos e nem pelo intelecto, mas por um sentimento religioso, que vem a ser: “Uma ressonância psíquica, de um sentimento acompanhado de emoções feitas de reverencia, de obséquio, de adoração, de submissão, de fascínio e também de temor”[4]. O sagrado só é respondido pela religião. Aquele que não é religioso não pode conceber o sagrado. O sentimento religioso possui duas características:
1.      “A seriedade de ser eu próprio. Não se trata de uma coisa, mas de tudo, do meu eu, da minha salvação.
2.      A seriedade do Interesse Salvífico. Faz com o eu, saindo de si mesmo, se transcenda e se entregue ao infinito outro de si mesmo. ”[5]
O sagrado tem sua representação mais comum no mito. O mito ilustra por meio de personagens sobrenaturais fatos da realidade ou de outros fragmentos da realidade.
O desenvolvimento da consciência do sagrado é dividido em quatro partes:
1.      A mitológica: tem o predomínio da fantasia.
2.      A filosófica: tem o predomínio da razão.
3.      A Teológica: tem o predomínio da fé
4.      A Fenomenológica: tem o predomínio da objetividade critica.

A parte mitológica o sagrado é ilustrado por narrativas ilustrativas, baseadas no emocional e sem fundamentação racional.
Na filosófica, Platão e Aristóteles tornam o homem sagrado, partindo de suas ideias assumidas, ainda mais quando elas se relacionam com o bem.
A teológica, parte do Antigo Israel, onde Javé se revela a Moisés e ao seu povo. O povo hebreu rompendo com os costumes egípcios. Javé se torna o princípio e causa de todas as coisas, tudo é regido e governado por Ele, D’Ele procede tudo e tudo retorna a Ele. O cristianismo ele irá utilizar-se tanto do mito quanto da filosofia para representar o sagrado e garantindo-lhe um caráter racional e crível.
Na modernidade onde consciência crítica desenvolvida pelos filósofos modernos destacam-se Hume e Kant, ela tenta destruir o conceito de sagrado surgindo neste período o Secularismo e o Ateísmo. No período moderno teremos muitos estudiosos tentando conceituar o sagrado e melhor defini-lo.
Na análise fenomenológica dessas 4 partes conclui-se que, o homem só descobre o sagrado porque ele se manifesta, levando o homem a descoberta de uma realidade que transcende a sua existência.
O sagrado ele não nasce no interior dos objetos, ele está presente neles de forma simbólica, que por sua vez são canais da presença e epifania do sagrado. É da natureza do sagrado dele se ocultar mais do que se manifestar.
A secularização, este termo surgiu durante as negociações de paz de Vestfalia nos meados do séc. XVII, como um conceito jurídico onde bens da Igreja eram transferidos para os estados, tendo objetivos profanos para estes bens. Na década de 60 depois de longos de debates, fica claro que a secularização é o ato de transformar o sagrado no profano.
No período pós-guerra e principalmente entre a década de 60 e 70 a secularização foi muito discutida no meio teológico, tornando-se o assunto mais estudado e discutido.
                        A reflexão sobre a secularização assumiu 3 formas:
1.      Teologia Radical ou Teologia da morte de Deus
2.      Teologia da Secularização propriamente dita.
3.      Teologia da Secularidade.
A primeira ela nega seus próprios princípios. Na segunda ela irá construir uma teologia fundamental partindo da secularização. E a terceira ira ter uma teologia setorial, que tem por objeto especifico a secularidade.
No final da idade moderna com o secularismos e ateísmo teremos seus maiores expoentes por consequência ateus, Feuerbach a Comte, Marx a Engels, Nietzche a Freud, Carnap a Russel, Heidegger a Sartre entre outros.Com o fim da modernidade e o surgimento da pós-modernidade o sagrado é despertado novamente e uma queda da secularização. Ocorre um reflorescimento do sagrado, com os movimentos pentecostais e carismáticos e a difusão de novas seitas religiosas. Isto mostra que o coração do homem necessita da religião para responder as suas demandas mais profundas.
A secularização levou o homem a pagar um preço muito caro pela morte de Deus, preço esse pago com a morte do próprio homem, nas grandes guerras mundiais e nas locais, nos massacres dos inocentes. Homem tornou-se escravo perdendo o critério de verdade, de conduta moral, levando-o a perder sua autonomia e liberdade em proveito da liberdade de seus produtos culturais.
Em suma a secularização não conseguiu banir o sagrado, mas sim mostrar indiretamente com suas consequências trágicas que o homem tem necessidade do sagrado.
Na Índia se diz que o homem não religioso é um animal, na secularização foi isso que ocorreu o homem se tornou um animal.
Numinosidade, é um estado de espirito absolutamente único da pessoa sente ou está consciente de alguma coisa misteriosa. É um sentimento de dependência absoluta.




[1]Segundo A. Lalande,Dizionario critico di filosofia, apud Mondin, Battista. Livro: Quem é Deus?: Elementos de Teologia filosófica – São Paulo: Paulus, 1997. Cap.1, p.31
[2] Quem é Deus?: Elementos de Teologia filosófica/ Battista Mondin; [Tradução José Maria de Almeida]. – São Paulo: Paulus, 1997.Cap.1, p33.
[3] Ibidem.
[4] Ibidem.
[5] [5]Segundo K. Hemmerle,art.cit.,col 14 apud Mondin, Battista. Livro: Quem é Deus?: Elementos de Teologia filosófica – São Paulo: Paulus, 1997. Cap.1, p.36


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