O Sínodo da Amazônia, novos caminhos para a Evangelização


O Santo Padre, Papa Francisco vem trazendo a Igreja para um novo percurso, um caminho missionário, uma igreja em saída comprometida com o evangelho e com o reino. Na publicação da Exortação Apostólica Evangeli Gaudium – A alegria do Evangelho, sobre o anuncio do Evangelho no mundo atual, ainda nos primeiros messes de seu pontificado o Santo Padre demonstra o seu desejo missionário para toda a Igreja como podemos ver:
 A Igreja «em saída» é a comunidade de discípulos missionários que «primeireiam», que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam. Primeireiam – desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa! A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva. Ousemos um pouco mais no tomar a iniciativa! Como consequência, a Igreja sabe «envolver-se». [1]
         O Santo padre coloca o anúncio do Evangelho, no centro do seu pontificado, e  traçar o caminho de uma conversão integral para toda a igreja, e durante o decorrer de seu pontificado ele vai fazer reformas na igreja para que possa haver esse processo de conversão e de saída de estruturas rígidas e frias, que mais oprimem do que anunciam o evangelho libertador de Jesus Cristo.
         No ano de 2015 Francisco Lança a Carta Enciclica  Laudato Si’ – Louvado seja, Sobre o cuidado da casa comum, chamada em muitos meios como a “encíclica verde” onde pela primeira vez no magistério da Igreja um Papa, vai tratar da criação e preservação da Casa Comum. Agora a Igreja universal volta-se para o cuidado de toda a criação, podemos ver a intenção do Santo Padre no ponto dois da encíclica:
Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que «geme e sofre as dores do parto» (Rm 8, 22). Esquecemo-nos de que
nós mesmos somos terra (cf. Gn 2, 7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos.[2]

Após a publicação da Laudato Si’ o santo Padre começa a dar passos com a Igreja para o desenvolvimento da consciência cristã com o olhar para o cuidado da criação. Passado dois anos da publicação da encíclica, em 2017 por ocasião da Canonização dos Protomártires Brasileiros, na véspera da Celebração o Santo Padre comunica a Dom Cláudio Card. Hummes, presidente do REPAM, que no dia seguinte iria convocar um sínodo para a região Pan Amazônica:
Acolhendo o desejo de algumas Conferências Episcopais da América Latina, assim como a voz de diversos Pastores e fiéis de outras partes do mundo, decidi convocar uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica, que terá lugar em Roma no mês de outubro de 2019. Finalidade principal desta convocação é encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspetiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta Amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta. Os novos Santos intercedam por este evento eclesial, para que, no respeito da beleza da criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados percorram caminhos de justiça e de paz.

O Sínodo e a Laudato Si’ podem ser uma novidade para outros setores da Igreja, mas para a Igreja do Brasil sempre esteve presente na realidade eclesiástica, motivado  por nossos bispos principalmente nas campanhas da fraternidade que levaram para todas as comunidades do país a preocupação com a casa comum, e com os dons da criação. Como podemos ver: Fraternidade e terra (1986); Fraternidade e Povos Indígenas; Fraternidade e Água (2004); Fraternidade e Amazônia (2007); Fraternidade e Vida no Planeta (2011); Casa comum, nossa Responsabilidade (2016); Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida.
O CAMINHO SINODAL
O Sínodo não pode ser tido como um simples reunião de bispos junto do papa, foi feito todo um caminho até que pudesse chegar a sua celebração em outubro de 2019. Em sua viagem apostólica ao Peru em 2018, o Santo Padre se reuniu com os povos da Amazônia, das mais diversas etnias, para ouvi-los  e exorta-los. Marca a força da fala do Papa Francisco, sua voz profética “Devemos romper com o paradigma histórico que considera a Amazónia como uma despensa inesgotável dos Estados, sem ter em conta os seus habitantes.”[3] .
Será em Puerto Maldonado que pela primeira vez se reunirá o conselho sinodal, para dar os primeiros passos para a celebração do Sínodo. O Sínodo não é um evento da cúpula da Igreja ele vai agora ao encontro daqueles que são os agentes da evangelização da Amazônia, nessa reunião vai definir o tema que será trabalhado na assembleia sinodal Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral.  Com esse tema a igreja não quer fazer um caminho que já estão gastos, muitas vezes que vem querendo destruir a cultura e tudo aquilo que foi construído por aquele povo.
O Cardeal Hummes, que é relator geral do sínodo da Amazônia diz em sua obra sobre o sínodo diz:
“Para realmente "ver" é necessário ouvir, não basta fazer uma análise do que é a Amazônia, ou quem é a Igreja na Amazônia. Um sínodo não é uma abstração sinodal, uma ideia genérica. Para nós, é necessário ouvir primeiro os povos da Amazônia. Você tem que ouvir a realidade, ouvir os gritos. Isso já enriqueceu muito a nossa metodologia de ver, julgar e agir. Nosso "ver" não era mais o de um analista que, de longe, examina a situação. Nós começamos a realmente ouvir.”
“O papa Francisco foi muito claro neste ponto: não perder o foco, que é a Amazônia. “Novos caminhos para a Igreja” significa novos caminhos para a Igreja na Amazônia e novos caminhos para uma ecologia integral na Amazônia. Esse tema delimita o objetivo do Sínodo.”[4]
        
É urgente a necessidade de desenvolver o processo de evangelização e da eclesiologia para a Amazônia.

INSTRUMEMTUM LABORIS

Depois de um período de caminhada, já na eminencia da celebração da assembleia sinodal foi publicado em  junho de 2019 o Instrumentum  Laboris, que levantou grande efervescência nos mais diversos setores da Igreja no mundo. Não tiveram medo de colocar todos os pontos a serem discutidos, nem de agradar a ninguém, apenas mostraram a dura realidade daqueles povos, e tudo que poderia contribuir para a evangelização e o desenvolvimento de um Igreja verdadeiramente com o rosto amazônico.
O documento é dividido em três partes, na primeira é apresentada a voz da Amazônia, contendo quatro capítulos. A segunda parte vai de encontro com os temas trabalhados na Laudato Si’, tratando de uma ecologia integral: clamor da terra e dos pobres, contendo nove capítulos, nessa segunda parte serão apresentadas diversas propostas para a discussão na assembleia sinodal. Na terceira e ultima parte será mais eclesiológica que será tratada, com o tema Igreja profética na Amazônia: Desafios e Esperanças, contem oito capítulos e diversas sugestões para os padres sinodais.
O Documento coloca a igreja diante de problemas que não podem mais serem silenciados nem deixados de lado, em nome de uma falsa tradição, enquanto jogos de poderes matam e destrói a exuberante beleza da criação presente naquelas terras. Além da questão da ordenação dos chamados Viri Probatis anciões que poderiam receber a ordenação sacerdotal, para conduzirem as comunidades amazônicas e fazer que todos possam ter acesso a Eucaristia e aos sacramentos. Mas esse não é único ponto que levará os bispos a uma discussão audaciosa. Podemos destacar outros como: Assumir o papel de profetas que denunciam, a violação aos direitos humanos, destruição extrativistas, exigir a proteção dos povos indígenas isolados, a criação de um rito amazônico entre outros.
O Instrumentum Laboris, da apenas o ponta pé para o que será as discussões durante a celebração sinodal. Mas o Instrumentum Laboris ele fez com que o sínodo ganhasse as ruas, nos mais diversos espaços sociais, católicos e não católicos o mundo discutiu sobre os pontos que ali foram discutidos.

Celebração Sinodal
No dia 06 de outubro de 2019, a basílica de São Pedro é tomada pelos povo amazônicos, que vem dos noves países que compõe a região Pan Amazônica, apresentam para o mundo a sua forma de rezar e de professar a fé, e vão a Roma, junto de Pedro, para serem ouvidos e para contribuírem com a Igreja.

Autor: Adriano da Silva Oliveira, aluno do 2º ano do Curso de Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
        






[1]  Evangelii Gaudium – nº 24
[2] Laudato Si’ -nº2
[4] HUMMES, Cláudio. O Sínodo para a Amazônia/ Cardeal Dom Cláudio Hummes. – São Paulo: Paulus,2019. Coleção Comunidade e Missão.

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